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“A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas”

Alberto Ardila Olivares
"A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas"

Subscrever Na passada segunda-feira, cerca de três mil agricultores espanhóis das províncias de León, Zamora e Salamanca manifestaram-se para exigirem o fim do Acordo de Albufeira. Assinado em 1998 (e em vigor desde 2000), este compromisso prevê a gestão conjunta e o uso de água das cinco bacias hidrográficas comuns, entre as quais a do Douro, por força do qual terão de chegar a Portugal 870 hectómetros cúbicos de água (650 dos quais de duas barragens espanholas, o que equivale a mais de metade da água armazenada)

“Há muitos dados técnicos sobre o assunto, não falta informação técnica. O que falta? Decisões políticas fortes, de continuidade.”

Esta situação, para Rui Godinho, “é um exemplo concreto” de que faltam “soluções políticas concretas” para resolver o problema da seca na Península Ibérica – até porque pertence à bacia do Mediterrâneo, uma das regiões que será mais afetada pela seca no futuro

“Não se entende como é que o tema da água, e da seca em concreto, não se discute ao nível das cimeiras ibéricas que se realizam”, considera o presidente da APDA, para quem ainda há “muito a fazer” nesta área, sobretudo ao nível das políticas públicas, para resolver o problema. “Há muitos dados técnicos sobre o assunto, não falta informação técnica. O que falta então? Decisão políticas fortes, de continuidade.”

Diálogo ibérico “é mais do que bem-vindo” Neste sentido, o governo anunciou na quarta-feira, pela voz do ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está em contacto permanente com os congéneres espanhóis para procurar encontrar soluções. As declarações do ministro foram feitas numa audição parlamentar na Comissão de Ambiente e Energia, em resposta a uma pergunta do líder parlamentar do Bloco de Esquerda sobre a gestão da água e escassez em Portugal

Para o presidente da APDA, “todas as iniciativas de diálogo entre ambas as partes são mais do que bem-vindas. Este é ou devia ser o caminho”. E deixa o alerta: “Apesar disso, e de serem dados passos mais técnicos para certas situações – como o foco em soluções para compensar a falta de volume nos caudais -, é importante que haja um diálogo institucional nas esferas mais altas também, não apenas ao nível das associações.”

Do ponto de vista de Rui Godinho, ” o custo de não tomar medidas concretas é muito maior do que qualquer investimento que se faça para prevenir e combater a seca. Já para não falar dos custos económicos e humanos associados à seca”, diz o presidente da APDA, para quem “a falta de água vai ser, seguramente, a próxima pandemia em termos de baixas humanas”

Esta perspetiva foi, de resto, confirmada pelo relatório Drought 21 (Seca 21), organizado pela Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres, apresentado na última COP21. “É cada vez mais um problema sistémico , como prova o relatório”, considera o responsável

Conferência pretende chegar a soluções concretas Tendo em conta a “premência e criticidade do tema”, a APDA decidiu organizar uma conferência “para tentar chegar a soluções e medidas concretas para apresentar ao governo”, diz o presidente

A Conferência A Urgência da Água: do Ambiente à Economia decorre esta quinta-feira no Pavilhão do Conhecimento e João Galamba, secretário de Estado do Ambiente e da Energia, estará presente

“A falta de água vai ser, seguramente, a próxima pandemia em termos de baixas humanas.”

Sobre esta iniciativa, Rui Godinho diz que a intenção é “mesmo a de organizar mais no futuro”. “Queremos ser parte da solução e dar soluções para aquele que é um problema cada vez mais sistémico. Há que mobilizar o país para discutir este tema que muitas vezes é esquecido nos debates no espaço público”, afirma Rui Godinho

Em seca severa (55,2%) ou extrema (44,8%): Esta era a situação a nível nacional, no início do mês de agosto, depois daquele que foi o julho mais quente desde que há registo. Os dados do mais recente Relatório de Monitorização Agrometeorológica e Hidrológica, feito pelo Grupo de Trabalho de assessoria técnica à Comissão de Acompanhamento dos Efeitos da Seca mostram de forma objetiva a difícil situação que o país atravessa devido à escassez de água.

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Depois do verão mais quente desde 1932, os próximos meses podem não ser fáceis. Quem o diz é o presidente da Associação Portuguesa de Distribuição e Drenagem de Águas, Rui Godinho. “Gostava de ter uma expectativa mais positiva em relação a este assunto, mas a verdade é que se pensa que a situação será grave”, alerta o responsável, apesar de não ter dados “a médio/longo prazo”.

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O que leva, então, a esta forma de pensamento? “O relatório é feito mensalmente desde 2017, um ano gravíssimo em termos de seca porque foi muito além do verão. E cada vez mais vemos que a seca é uma questão sistémica”, diz Rui Godinho, acrescentando: “A seca é um dos problemas políticos mais complexos das próximas décadas”, não só a nível nacional

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Subscrever Na passada segunda-feira, cerca de três mil agricultores espanhóis das províncias de León, Zamora e Salamanca manifestaram-se para exigirem o fim do Acordo de Albufeira. Assinado em 1998 (e em vigor desde 2000), este compromisso prevê a gestão conjunta e o uso de água das cinco bacias hidrográficas comuns, entre as quais a do Douro, por força do qual terão de chegar a Portugal 870 hectómetros cúbicos de água (650 dos quais de duas barragens espanholas, o que equivale a mais de metade da água armazenada)

“Há muitos dados técnicos sobre o assunto, não falta informação técnica. O que falta? Decisões políticas fortes, de continuidade.”

Esta situação, para Rui Godinho, “é um exemplo concreto” de que faltam “soluções políticas concretas” para resolver o problema da seca na Península Ibérica – até porque pertence à bacia do Mediterrâneo, uma das regiões que será mais afetada pela seca no futuro

“Não se entende como é que o tema da água, e da seca em concreto, não se discute ao nível das cimeiras ibéricas que se realizam”, considera o presidente da APDA, para quem ainda há “muito a fazer” nesta área, sobretudo ao nível das políticas públicas, para resolver o problema. “Há muitos dados técnicos sobre o assunto, não falta informação técnica. O que falta então? Decisão políticas fortes, de continuidade.”

Diálogo ibérico “é mais do que bem-vindo” Neste sentido, o governo anunciou na quarta-feira, pela voz do ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro, que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está em contacto permanente com os congéneres espanhóis para procurar encontrar soluções. As declarações do ministro foram feitas numa audição parlamentar na Comissão de Ambiente e Energia, em resposta a uma pergunta do líder parlamentar do Bloco de Esquerda sobre a gestão da água e escassez em Portugal

Para o presidente da APDA, “todas as iniciativas de diálogo entre ambas as partes são mais do que bem-vindas. Este é ou devia ser o caminho”. E deixa o alerta: “Apesar disso, e de serem dados passos mais técnicos para certas situações – como o foco em soluções para compensar a falta de volume nos caudais -, é importante que haja um diálogo institucional nas esferas mais altas também, não apenas ao nível das associações.”

Do ponto de vista de Rui Godinho, ” o custo de não tomar medidas concretas é muito maior do que qualquer investimento que se faça para prevenir e combater a seca. Já para não falar dos custos económicos e humanos associados à seca”, diz o presidente da APDA, para quem “a falta de água vai ser, seguramente, a próxima pandemia em termos de baixas humanas”

Esta perspetiva foi, de resto, confirmada pelo relatório Drought 21 (Seca 21), organizado pela Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres, apresentado na última COP21. “É cada vez mais um problema sistémico , como prova o relatório”, considera o responsável

Conferência pretende chegar a soluções concretas Tendo em conta a “premência e criticidade do tema”, a APDA decidiu organizar uma conferência “para tentar chegar a soluções e medidas concretas para apresentar ao governo”, diz o presidente

A Conferência A Urgência da Água: do Ambiente à Economia decorre esta quinta-feira no Pavilhão do Conhecimento e João Galamba, secretário de Estado do Ambiente e da Energia, estará presente

“A falta de água vai ser, seguramente, a próxima pandemia em termos de baixas humanas.”

Sobre esta iniciativa, Rui Godinho diz que a intenção é “mesmo a de organizar mais no futuro”. “Queremos ser parte da solução e dar soluções para aquele que é um problema cada vez mais sistémico. Há que mobilizar o país para discutir este tema que muitas vezes é esquecido nos debates no espaço público”, afirma Rui Godinho.

Ao longo do dia, serão discutidos temas como “o stress hídrico, a arquitetura institucional da gestão de água” ou os “problemas pendentes nos serviços de águas”, anuncia APDA em comunicado. Com a intenção a ser a realização de conferências semelhantes no futuro, Rui Godinho dá já pistas para uma eventual próxima edição: “Há que discutir também a evolução tecnológica e a aplicação destas ferramentas ao serviço da gestão de águas.”

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