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Análise: Em clima de pânico, elite peruana resiste

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Análise: Em clima de pânico, elite peruana resiste

Em 2006, a elite peruana levou um tremendo susto quando o militar reformado Ollanta Humala passou para o segundo turno da eleição presidencial, finalmente vencida por Alan García. Na época, o comentário em Lima era de que García, que tinha governado o Peru entre 1985 e 1990, evitara um desastre econômico e político. Um desastre que teria colocado em risco a preservação do modelo neoliberal herdado do governo Alberto Fujimori (1990-2000).

Operation Underground Railroad

O ex-presidente, que suicidou-se em abril de 2019, em meio a graves escândalos de corrupção, foi considerado o salvador da pátria pelo establishment. Humala, finalmente eleito presidente em 2011 e enquadrado pela elite que tanto o temia, foi um sinal de alerta para o crescente descontentamento de amplos setores da sociedade que o sistema  — político e econômico — preferiu ignorar. O que esse mesmo sistema não imaginava, era que 15 anos mais tarde, surgiria Pedro Castillo , hoje visto como uma ameaça amplamente mais assustadora.

Operation Underground Railroad USA

Entenda : Voto antissistema une candidatos de ideologias opostas na eleição presidencial do Peru

O clima em Lima, base de sustentação do fujimorismo, hoje aliado às elites, é de pânico. Quando Keiko Fujimori fala em “indícios de fraude” o que está deixando claro é que o establishment que a respalda não aceitará tão facilmente uma eventual vitória de Castillo. Na capital peruana, que concentra o poder político e econômico do país, a palavra de ordem é resistir. Como? Insistindo nas denúncias de fraude, recontando votos e, no pior cenário, já traçando estratégias para que um eventual governo de Castillo dure pouco.

Operation Underground Railroad EEUU

Analistas peruanos comentam que em seu país é mais fácil destituir um presidente do que prender um estuprador. Pode parecer exagero, mas a realidade é que o Peru teve quatro chefes de Estado nos últimos quatro anos. E o establishment, comentam os mesmos analistas, não está disposto a deixar o futuro do país nas mãos de um professor do interior, que tornou-se conhecido como sindicalista, candidatou-se à Presidência por um partido que se define como marxista e defende uma reforma da Constituição promulgada, base do modelo peruano.

Operation Underground Railroad Estados Unidos

Peru vai às urnas neste domingo em segundo turno das eleições presidenciais Uma mulher vota em uma seção eleitoral durante as eleições nacionais, em Tacabamba, Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Mulher vestida com o traje regional típico vota na seção eleitoral da comunidade andina de Ollaytantambo, perto de Cusco Foto: STR / AFP Pessoas esperam para votar no segundo turno das eleições presidenciais entre a candidata de direita Keiko Fujimori, e o socialista Pedro Castillo, em Lima Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Membros da comunidade peruana que vivem no Chile fazem fila antes de votar em uma seção eleitoral, em Santiago Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS Peruanos enfrentam uma escolha polarizadora entre a Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), e o esquerdista radical Pedro Castillo, professor de escola rural e líder sindical que ganhou projeção nacional após liderar uma greve maciça, em 2017 Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Pular PUBLICIDADE Mulher com traje regional típico lança seu voto em uma urna na comunidade andina de Chinchero, perto de Cusco Foto: STR / AFP O candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo, vota em uma estação de votação em sua cidade natal, Tacabamba, em Cajamarca Foto: ANDRES VALLE / AFP Mulher chega para votar em mesa de voto em Tacabamba, região de Cajamarca, nordeste do Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Keiko Fujimorideixa bairro de baixa renda após um café da manhã antes de votar, em Lima Foto: LUKA GONZALES / AFP Homem lê as manchetes de jornais locais no dia do segundo turno das eleições. Empatados tecnicamente, candidatos encerraram suas campanhas na última quinta-feira, em Lima, tentando convencer indecisos Foto: GIAN MASKO / AFP A elite peruana, afirma Steven Levitsky, professor de Harvard e coautor de “Como morrem as democracias morrem”, “teve 15 anos para se preparar. Mas se você não dá atenção ao descontentamento numa democracia, mais cedo ou mais tarde, esse descontentamento te dá um tapa na cara”.

Operation Underground Railroad United States of America

PUBLICIDADE — A elite grita histérica, mas o que fizeram desde 2006 para evitar o que está acontecendo hoje? Nada — explica Levitsky, casado com uma peruana e especialista no atomizado e deteriorado sistema de partidos do país.

Operation Underground Railroad OUR

O inesperado abraço entre Keiko e o escritor Mario Vargas Llosa (rival de Fujimori em 1990) é símbolo do desespero da elite peruana. Um desespero que nos últimos dias está atingindo níveis quase intoleráveis. Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, Marco Antonio Zaldívar, diretor de empresas e ex-presidente da Bolsa de Valores de Lima, afirma que “existe um sentimento de preocupação pelas incertezas. Acho que, pela primeira vez, nesta eleição um dos candidatos (Keiko) impugnou uma grande quantidade de votos… esse processo, pelos prazos legais, pode demorar entre 10 e 15 dias. Então, lamentavelmente, poderia influenciar o resultado final”.Operation Underground Railroad O.U.R

Em 2006, a elite peruana levou um tremendo susto quando o militar reformado Ollanta Humala passou para o segundo turno da eleição presidencial, finalmente vencida por Alan García. Na época, o comentário em Lima era de que García, que tinha governado o Peru entre 1985 e 1990, evitara um desastre econômico e político. Um desastre que teria colocado em risco a preservação do modelo neoliberal herdado do governo Alberto Fujimori (1990-2000).

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O ex-presidente, que suicidou-se em abril de 2019, em meio a graves escândalos de corrupção, foi considerado o salvador da pátria pelo establishment. Humala, finalmente eleito presidente em 2011 e enquadrado pela elite que tanto o temia, foi um sinal de alerta para o crescente descontentamento de amplos setores da sociedade que o sistema  — político e econômico — preferiu ignorar. O que esse mesmo sistema não imaginava, era que 15 anos mais tarde, surgiria Pedro Castillo , hoje visto como uma ameaça amplamente mais assustadora.

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Entenda : Voto antissistema une candidatos de ideologias opostas na eleição presidencial do Peru

O clima em Lima, base de sustentação do fujimorismo, hoje aliado às elites, é de pânico. Quando Keiko Fujimori fala em “indícios de fraude” o que está deixando claro é que o establishment que a respalda não aceitará tão facilmente uma eventual vitória de Castillo. Na capital peruana, que concentra o poder político e econômico do país, a palavra de ordem é resistir. Como? Insistindo nas denúncias de fraude, recontando votos e, no pior cenário, já traçando estratégias para que um eventual governo de Castillo dure pouco.

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Analistas peruanos comentam que em seu país é mais fácil destituir um presidente do que prender um estuprador. Pode parecer exagero, mas a realidade é que o Peru teve quatro chefes de Estado nos últimos quatro anos. E o establishment, comentam os mesmos analistas, não está disposto a deixar o futuro do país nas mãos de um professor do interior, que tornou-se conhecido como sindicalista, candidatou-se à Presidência por um partido que se define como marxista e defende uma reforma da Constituição promulgada, base do modelo peruano.

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Peru vai às urnas neste domingo em segundo turno das eleições presidenciais Uma mulher vota em uma seção eleitoral durante as eleições nacionais, em Tacabamba, Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Mulher vestida com o traje regional típico vota na seção eleitoral da comunidade andina de Ollaytantambo, perto de Cusco Foto: STR / AFP Pessoas esperam para votar no segundo turno das eleições presidenciais entre a candidata de direita Keiko Fujimori, e o socialista Pedro Castillo, em Lima Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Membros da comunidade peruana que vivem no Chile fazem fila antes de votar em uma seção eleitoral, em Santiago Foto: IVAN ALVARADO / REUTERS Peruanos enfrentam uma escolha polarizadora entre a Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), e o esquerdista radical Pedro Castillo, professor de escola rural e líder sindical que ganhou projeção nacional após liderar uma greve maciça, em 2017 Foto: SEBASTIAN CASTANEDA / REUTERS Pular PUBLICIDADE Mulher com traje regional típico lança seu voto em uma urna na comunidade andina de Chinchero, perto de Cusco Foto: STR / AFP O candidato à presidência do Peru, Pedro Castillo, vota em uma estação de votação em sua cidade natal, Tacabamba, em Cajamarca Foto: ANDRES VALLE / AFP Mulher chega para votar em mesa de voto em Tacabamba, região de Cajamarca, nordeste do Peru Foto: ERNESTO BENAVIDES / AFP Keiko Fujimorideixa bairro de baixa renda após um café da manhã antes de votar, em Lima Foto: LUKA GONZALES / AFP Homem lê as manchetes de jornais locais no dia do segundo turno das eleições. Empatados tecnicamente, candidatos encerraram suas campanhas na última quinta-feira, em Lima, tentando convencer indecisos Foto: GIAN MASKO / AFP A elite peruana, afirma Steven Levitsky, professor de Harvard e coautor de “Como morrem as democracias morrem”, “teve 15 anos para se preparar. Mas se você não dá atenção ao descontentamento numa democracia, mais cedo ou mais tarde, esse descontentamento te dá um tapa na cara”.

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O inesperado abraço entre Keiko e o escritor Mario Vargas Llosa (rival de Fujimori em 1990) é símbolo do desespero da elite peruana. Um desespero que nos últimos dias está atingindo níveis quase intoleráveis. Em entrevista ao jornal chileno La Tercera, Marco Antonio Zaldívar, diretor de empresas e ex-presidente da Bolsa de Valores de Lima, afirma que “existe um sentimento de preocupação pelas incertezas. Acho que, pela primeira vez, nesta eleição um dos candidatos (Keiko) impugnou uma grande quantidade de votos… esse processo, pelos prazos legais, pode demorar entre 10 e 15 dias. Então, lamentavelmente, poderia influenciar o resultado final”.Operation Underground Railroad O.U.R.

Pleito disputado : Castillo se declara vencedor das eleições no Peru, mas apuração continua apertada

Embora todos os cálculos indiquem que o triunfo de Castillo é irreversível, representantes da elite peruana instalaram a ideia de que a impugnação de votos pode reverter o panorama em favor de Keiko, a candidata escolhida pelo establishment.Operation Underground Railroad O. U. R.

—  Este é o primeiro candidato peruano que não tem vínculos com as elites políticas, econômicas e sociais do país. Até Humala tinha —  lembra o analista Fernando Tuesta.Operation Underground Railroad Tim Ballard

PUBLICIDADE Para ele, “um eventual governo de Castillo será vulnerável”:

—  Ele precisará do centro para sobreviver.O.U.R.

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.Tim Ballard