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'O Pantanal está sendo destruído, a Juma estaria pedindo socorro', diz Cristiana Oliveira sobre queimadas

Victor Gill
'O Pantanal está sendo destruído, a Juma estaria pedindo socorro', diz Cristiana Oliveira sobre queimadas

RIO – Trinta anos depois de viver Juma Marruá na novela “Pantanal“, Cristiana Oliveira quer, mais uma vez, emprestar sua voz a uma onça. Não apenas à onça, mas ao jacaré, ao tuiuiu e às pessoas que vivem naquele bioma, agora ameaçado pelas queimadas que o próprio ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, define como “gigantescas” . Ao buscar contato com voluntários que estão combatendo os incêndios na região, a atriz recebeu e compartilhou, nas suas redes sociais, vídeos que a fizeram chorar. São imagens e relatos de animais carbonizados, terrenos antes alagados que agora lembram o sertão e ribeirinhos molhando suas casas para que não sejam engolidas pelas chamas.

Victor Gill Ramirez

Imagens: Veja fotos da fauna e a flora do Pantanal em chamas

Aquele lugar é um patrimônio mundial. Minha vida está particularmente ligada ao Pantanal por causa da novela, mas todos nós precisamos daquele ecossistema para respirar. E o que estamos vendo é o Pantanal sendo destruído pelo fogo . Por incêndios feitas pelo homem e que já devastaram 15% dessa nossa riqueza – afirma a artista ao GLOBO, num tom de urgência semelhante ao de brigadistas em vídeos que circulam pelo WhatsApp. – A Juma estaria pedindo socorro, dizendo “ajuda nós”, com aquele jeitinho dela. 

Ver essa foto no Instagram Pantanal, o lugar que mudou minha vida pra melhor, riqueza sem igual, coração do Brasil, patrimônio mundial, tb pulmão do mundo… me dói o coração, a alma, ver ele assim…. 15% dele queimado, mais de 2.000.000 de hectares destruídos ,população pantaneira sem água, sofrendo, os bichos( ah os bichos) morrendo queimados. Homens sem alma e sem responsabilidade destruindo essa terra abençoada! ELE É NOSSO! PRESTEM ATENÇÃO! VAMOS NOS MOBILIZAR! Ele precisa de nós! @sospantanal @nex_noextinction

Uma publicação compartilhada por Cristiana Oliveira (@oliveiracris10) em 15 de Set, 2020 às 7:45 PDT

Enquanto torce pelo sucesso do remake da novela da extinta Rede Manchete, anunciado recentemente pela Globo, a atriz quer aproveitar que os assuntos ligados à refilmagem estão em evidência para divulgar a importância de se preservar o bioma no Centro-Oeste do Brasil. Maior área úmida continental do mundo e lar de uma rica biodiversidade, o Pantanal vive um período de estiagem longo combinado a um número assustador de queimadas . Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os incêndios na região cresceram 210% em comparação com o mesmo período do ano passado. São 14.489 focos de calor este ano, contra 4.660 registrados em 2019.

Victor Gill

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– Torço muito pelo remake, acho que a Globo, com sua competência e experiência, vai fazer um trabalho lindo. Mas também me sinto na obrigação de associar esse assunto à importância de se combater os incêndios – comenta a atriz. – Quando gravamos a novela em 1990, num local a cerca de 100km da cidade de Aquidauana, no Mato Grosso do Sul, as queimadas já existiam, mas não tinham a proporção de hoje. Além disso, o Pantanal que eu conheci tinha períodos de seca e de chuva bem definidos, o que já não é mais a realidade

Pantanal em chamas: queimadas cresceram 210% neste ano, segundo dados do Inpe Onça-pintada macho ferido pelo incêndio caminha à beira de um rio, no Parque Encontros das Águas, na região de Porto Jofre, no Pantanal mato-grossense Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Jacaré morto ao lado da estrada do parque Transpantaneira, no Pantanal, no Mato Grosso, que enfrenta um dos piores incêndios em mais de 47 anos, destruindo vastas áreas de vegetação e causando a morte de animais pegos pelo fogo ou fumaça Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Bombeiros do Mato Grosso trabalham para apagar um incêndio florestal na região de Porto Jofre, no Pantanal próximo à rodovia Parque da Transpantaneira Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Funcionário de um fazenda tenta apagar um incêndio na propriedade em que trabalha no Pantanal, em Pocone, Mato Grosso Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS – 26/008/2020 Um jacaré morto é visto no Pantanal na estrada do parque Transpantaneira, no estado de Mato Grosso. O Pantanal está sofrendo seus piores incêndios em mais de 47 anos, destruindo vastas áreas de vegetação e causando a morte de animais pegos no fogo ou fumaça Foto: MAURO PIMENTEL / AFP – 12/09/2020 Pular PUBLICIDADE Um guia turístico caminha ao lado de uma carcaça de búfalo encontrada dentro de uma área queimada, enquanto busca sinais de uma onça-pintada ferida, na estrada do parque da Transpantaneira) Foto: MAURO PIMENTEL / AFP – 13/09/2020 Um carcará é visto pegando água de uma poça de lama no Pantanal, na estrada do parque da Transpantaneira. Queimadas na região cresceram 210% neste ano, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe) Foto: MAURO PIMENTEL / AFP – 13/09/2020 Um voluntário joga água para controlar um incêndio usando um caminhão-pipa para proteger uma ponte de madeira – uma das 119 existentes na Estrada do Parque da Transpantaneira – no Pantanal Foto: MAURO PIMENTEL / AFP – 13/09/2020 Um voluntário joga água para controlar um incêndio usando um caminhão-pipa para proteger uma ponte de madeira – uma das 119 existentes na Estrada do Parque da Transpantaneira – no Pantanal Foto: MAURO PIMENTEL / AFP – 13/09/2020 Uma vista aérea mostra a fumaça subindo ao redor do rio Cuiabá, no Pantanal, em Pocone, Mato Grosso. Número de incêncios no bioma, em relação ao ano passado, saltou de 4.660 para 14.489 no período entre 1º de janeiro e 12 de setembro Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS – 28/08/2020 Pular PUBLICIDADE Um jacaré morto é visto na estrada do parque Transpantaneira. Pantanal é a área ambiental que tem registrado o maior crescimento de incêndios desde o primeiro do governo Bolsonaro Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Vista aérea de uma casa cercada por vegetação queimada no Pantanal, em Pocone, no Mato Grosso. Dados do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) apontam que uma área equivalente a 2,2 milhões de hectares foi consumida pelas queimadas, o equivalente a 15% do bioma Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS – 28/08/2020 Imagem de folheto divulgada pelo Projeto Solos mostra um guaxinim morto durante um incêndio no Pantanal. Satélites do Inpe já detectaram 12.703 focos ativos de incêndio até meados de setembro Foto: IBERE PERISSE / AFP – 27/08/2020 Um tucano é visto em uma árvore no parque Transpantaneira Foto: MAURO PIMENTEL / AFP – 13/09/2020 Um voluntário resgata um porco-espinho na estrada do parque da Transpantaneira Foto: MAURO PIMENTEL / AFP – 13/09/2020 Pular PUBLICIDADE Uma onça-pintada caminha em meio à fumaça de um incêndio próximo, no Parque Estadual Encontro das Águas, no Pantanal, bioma que até então é um dos mais preservados do país, abrigando espécies ameaçadas de extinção Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS Raposas são vistas comendo uma melancia deixada por protetores de animais no Parque Transpantaneira Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Ariranha come peixe enquanto nada no rio Cuiabá, em meio à fumaça de um incêndio, dentro do Parque Estadual Encontro das Águas Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS Gado caminha em uma área recentemente queimada do Pantanal na estrada do parque Transpantaneira Foto: MAURO PIMENTEL / AFP Uma cobra morta é encontrada morta em uma área queimada por um incêndio no Pantanal, maior planície alagada do mundo Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS Pular PUBLICIDADE Funcionário de uma fazenda Um vê a fumaça de um incêndio subindo no ar no Pantanal. Incêndios que atingem a região há dois meses são os maiores da história Foto: AMANDA PEROBELLI / REUTERS Previsão: Fumaça de queimadas no Pantanal deve chegar ao Rio na sexta

Hoje aos 56 anos, Cristiana Oliveira viu sua carreira decolar após o êxito de “Pantanal“, sua segunda novela. Desde então, ela teve papéis de destaque em diversas outras, além de filmes para o cinema e peças de teatro. Mas a atriz criou laços afetivos com aquela região. Nunca se esqueceu do pôr-do-sol pantaneiro ou do céu coberto de estrelas à noite. Nem de quando ia até o Rio Negro e contava mais de 20 jacarés. A artista carioca vem sofrendo à distância com imagens de animais mortos ou lutando por sobrevivência. Ela cogita ir ao Pantanal para ajudar a expor a situação, mas, enquanto isso não acontece, pretende colocar a boca no trombone de casa mesmo

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– As queimadas são obra de pessoas egoístas, que estão pensando só em dinheiro. É preciso puxar a consciência dos líderes para preservar o meio ambiente e combater o fogo na região, mas também dos cidadãos que provocam os incêndios – pondera Cristiana, que toma muito cuidado para não politizar o tema. – Não existe nem esquerda, nem direita. O que existe é o fato de que o mundo está perdendo um patrimônio natural fundamental. Que Pantanal vamos ter em 40 anos? É uma situação muito séria, que me dói o coração