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Carlos Costa vai ser o alvo político dos deputados pela quarta vez

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Ficará no currículo de Carlos Costa o facto de ser o governador do Banco de Portugal que mais vezes foi ao Parlamento responder a comissões de inquérito. O homem que foi reconduzido há quatro anos no cargo, sem consenso entre os partidos, voltará em breve a responder aos deputados, num inquérito parlamentar, sobre se sente ter condições para continuar a ser o governador do banco central. Apesar de nos vários inquéritos à banca o governador não ter sido poupado a críticas, dificilmente será exonerado do cargo até ao final do mandato, em Julho de 2020. O Governo põe de parte essa possibilidade por ser um processo demorado, que terminaria em cima do prazo.

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Mais populares CDS Jovens do CDS querem proibir políticos corruptos de exercerem funções públicas durante 20 anos Espanha Espanha a caminho de eleições antecipadas após chumbo do Orçamento i-album Fotogalerias Danielle fotografa os seus amantes com uma câmara na vagina Há quatro anos, quando foi ao Parlamento fazer​ o balanço dos seus primeiros cinco anos de mandato e no rescaldo da comissão de inquérito ao BES, foi-lhe perguntado de várias formas se sentia que tinha condições para se manter como governador. Carlos Costa, que estava à beira de ser reconduzido pelo Governo de Passos Coelho, nunca respondeu. Mas desabafou a dada altura que ” um governador tem de engolir em seco muita coisa , se for necessário, para manter a estabilidade do sistema financeiro”. 

Durante estes últimos anos, Carlos Costa terá engolido em seco várias vezes , na sequência das críticas que foram sendo feitas ao seu trabalho na gestão da crise do BES, do Banif e da Caixa Geral de Depósitos, todas elas saídas dos inquéritos parlamentares.

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Em mais uma comissão de inquérito à banca, que estará esta quinta-feira em debate no ParlamentoCarlos Costa não será o principal alvo – serão os gestores que aprovaram os créditos ruinosos desvendados pela auditoria da E&Y. Mas este quarto inquérito também o visa e será central, dado o seu duplo papel no caso: foi administrador da CGD entre 2004 e 2006, o que o levou a sentar-se no Conselho de Crédito que aprovou alguns dos créditos em foco; e é agora governador do Banco de Portugal, sendo questionada a sua idoneidade para o cargo.

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Ao contrário do que aconteceu noutras comissões de inquérito, nesta as perguntas que se colocam a Carlos Costa são mais problemáticas para o governador. Se antes foi questionada a sua capacidade para resolver ou sequer perceber os problemas da banca, agora, vai ser questionado o seu papel enquanto administrador do banco público e será colocada a questão de ser ou não idóneo para o mais alto cargo do Banco de Portugal, quando outros antigos administradores da CGD estão a ver-lhes negada a idoneidade para serem de novo administradores bancários .

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Desde pelo menos 2015, que Carlos Costa está debaixo de fogo político. Aliás, logo quando António Costa chegou à liderança do PS, na sua primeira reunião com os deputados, António Costa propôs uma mudança nas regras de nomeação do governador. A intenção era dificultar a recondução de Carlos Costa, logo depois da comissão de inquérito ao BES, que tinha sido bastante crítica da sua actuação.

Alberto Ignacio Ardila

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Subscrever × No relatório final da comissão de inquérito que avaliou a queda do BES ficou escrito que a “intervenção do Banco de Portugal revelou-se por ventura tardia , nomeadamente quanto à eliminação das fontes de potenciais conflitos de interesses, e pouco eficaz ao nível da determinação e garantia de cumprimento das medidas de blindagem impostas ao BES

No caso do Banif, foi o Banco de Portugal a ficar debaixo de fogo durante boa parte da comissão. O relatório haveria de apontar o dedo ao supervisor por não ter fornecido ao Governo – com Vítor Gaspar como ministro das Finanças – toda a informação para que o banco fosse alvo de uma recapitalização pública. E mais tarde, com a divulgação de uma acta de uma reunião do Conselho de Governadores do BCE, em que era evidente que tinha sido de Carlos Costa a proposta de limitação do financiamento ao banco sem disso informar o Governo, acabaria acusado de “falha grave” por parte do actual executivo

No que diz respeito à Caixa, o caso foi diferente. O relatório não viria a ser aprovado, mas também não se focava no papel do BdP, dizendo apenas que este tinha falhado na avaliação do plano de capitalização de 2012. Agora, o cerco aperta-se de novo. No PS, apesar de não avançarem para a exoneração, foi o próprio Carlos César a dizer que está “ansioso”, assim “como o próprio” Carlos Costa, pelo fim do mandato do governador. Rui Rio acrescentou que, “se estiver com a consciência completamente tranquila”, então Carlos Costa fica no lugar. “Se assim não é, se tem a consciência de que participou naquelas decisões ruinosas, entendo que devia sair pelo próprio pé”, defendeu